Homenagem – Paulo Anestar Galeti – 10/8/1931 - 19/3/2025 – Uma vida dedicada à Extensão Rural e à Conservação do Solo
É com pesar que comunicamos o falecimento, no dia 19/3/2025, de Paulo Anestar Galeti, que, mais que engenheiro agrônomo o qual dedicou sua vida ao trabalho de conservação do solo, era um extensionista que personificou a história da CATI. Ele deixa esposa, dois filhos e três netos.
Nascido em Lucélia (SP), em 10 de agosto de 1931, o dr. Paulo, como sempre foi chamado, era conhecido pela sua generosidade em compartilhar seu extenso conhecimento e pela gentileza e humanidade com que tratava a todos à sua volta. Um apaixonado pela conservação do solo, desde que ingressou, em 1.º de junho de 1960, no Departamento de Engenharia e Mecânica da Agricultura (Dema), na Divisão de Conservação do Solo, da Secretaria da Agricultura, após a formação em Agronomia na Universidade Federal de Lavras (MG) e estágio na Associação de Crédito. Teve uma trajetória de sucesso como servidor público, ocupando diversos cargos na CATI e na Secretaria, a qual, em sua humildade, creditava ao trabalho conjunto com os colegas e os produtores que o ajudavam na construção do conhecimento e dos saberes práticos no dia a dia do campo.
Testemunha ocular da evolução do trabalho da assistência técnica e extensão rural paulista, dr. Paulo participou do grupo que promoveu a reorganização administrativa da Secretaria, bem como a consequente criação da CATI em 1967. Em depoimento na celebração dos 50 anos da CATI, em 2017, ele disse: “Na década de 1960, a Secretaria contava com cerca de 70 unidades, sendo as maiores o Departamento de Produção Vegetal, o Departamento de Produção Animal e o Dema. Era uma estrutura muito grande, que estava desarticulada. Diante dessa constatação, o Governo do Estado decidiu por uma reestruturação para estabelecer ações mais coordenadas nas diversas frentes de atuação. Eu integrei o grupo que “desenhou” a reorganização, o que para mim foi uma honra, pois a minha vocação sempre foi de extensionista e não de prestador de serviço, que era a função do Dema, onde eu trabalhava. Por isso, poder contribuir para a criação de um órgão que tinha como propósito promover a extensão rural, com foco educacional, foi gratificante demais”.
Pàulo Galeti (primeiro à esquerda) entrega certificado a produtor participante de concurso de conservação do solo no final da década de 1970.
Na área de conservação do solo, dr. Paulo atuou ao lado de outros extensionistas e pesquisadores, enfatizando que a educação era a base para qualquer projeto de desenvolvimento sustentável e de conservação do solo. “Em 1961, fui trabalhar na Microbacia do Ribeirão Santo Anastácio (o primeiro programa de microbacias no território paulista, com foco na conservação do solo, foi implementado na década de 1960), onde coloquei em prática as tecnologias de conservação utilizadas na época; o foco da extensão rural no período era prestação de serviços, com a elaboração de projetos de terraços e outras práticas. Com a criação da CATI, foram priorizados trabalhos educacionais, período a partir do qual teve início uma maior preocupação com a análise do que era melhor para cada propriedade e com a elaboração de projetos que conscientizassem os agricultores sobre a importância do solo, porque dele dependia toda a existência e não apenas porque os técnicos diziam que era necessário”, comentou à época dos 50 anos da CATI.
Extensionista aposentado que, durante anos, caminhou lado a lado com o dr. Paulo e com quem teve “o mais rico” aprendizado sobre conservação do solo, Mário Ivo Drugowich declara: “Só consigo defini-lo como a gentileza em pessoa e a personificação da história da CATI. Como extensionista, era um símbolo de competência. Como colega, foi para mim um professor, mestre e mentor; um verdadeiro “pai”, que me fez permanecer na CATI, quando tive dúvidas sobre a minha vocação, e aprender a amar a Extensão Rural”.
Para o engenheiro agrônomo João Brunelli Júnior, que há mais de 40 anos trabalha na CATI, e atuou com o dr. Paulo na Assessoria de Planejamento da instituição, ele era um dos grandes especialistas em conservação do solo e mecanização agrícola da extensão rural, não apenas de São Paulo, mas do país. “Em sua vida profissional, trabalhou incansavelmente na difusão de tecnologia e práticas conservacionistas integradas para os produtores rurais, gestores públicos e extensionistas paulistas, coordenando, na Assessoria da CATI, a implantação de projetos de assistência técnica e extensão rural em todas as Divisões Regionais Agrícolas − Diras (atuais Regionais), em todo o estado, e nos ensinando, na prática, a ser melhores extensionistas a cada dia”.
Como autor de inúmeros livros e publicações técnicas na área de conservação do solo, Microbacias e de história da agricultura, como o editado pelo Centro de Comunicação Rural da CATI, com enfoque na cafeicultura, e ações desenvolvidas em todas as regiões paulistas, seu trabalho e dedicação como Servidor Público e Extensionista (com letra maiúscula) é um legado, pois como ele ensinava: “um solo bem conservado é a base para o desenvolvimento da agropecuária e da vida”.
Nos despedimos de um amigo e mestre, no mais puro sentido da palavra, deixando nossas condolências à família, mas celebrando sua vida, que gerou muitos “frutos”, os quais continuarão a ser semeados pelos extensionistas paulistas, produtores rurais, pesquisadores e por todos aqueles que foram agraciados pela sua companhia e por seus ensinamentos!
Fonte :
- Cleusa Pinheiro – Jornalista (MTB 28.487) – Centro de Comunicação Rural (Cecor)/CATI/SAA – cleusa.pinheiro@sp.gov.br
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